quarta-feira, abril 16, 2008
Ecos Marinhos
«A Vida, por vezes, é uma canção solitária.»
Ergue-se, estridentemente, por entre os amarfanhar de antigos desejos, enleando-se, sedutores, em torno de pedaços de mar, lambendo a areia branca, carregamento de seixos imperfeitos. Pegadas alastram pelos grãos, moldando formas - humanas, animais - rapidamente apagadas pelo correr da água sobre a palidez do areal. Algas formam desenhos abstractos, contornando, com delicadeza, linhas esguias de uma languidez perturbante.
A cor é feita de notas harmoniosas que se distendem até ao azul que é ambíguo; que preenche as duas faces da mesma moeda - planície espelhada que se estende diante o olhar. São indivisíveis, mais que nunca, as dores que aterram em lamentos e queixumes e carpires que são ignorados pelo jorrar de palavras incoerentes que se passeiam de mãos dadas, formando dormentes frases desnecessárias à compreensão humana.
Entretêm-se as aves com gritos a que, porventura, chamarias cantares, enquanto pés descalços marcam efémeros trilhos de beleza natural - artificialmente criada. Não há, decerto, beachcombers vasculhando e perturbando a tranquilidade serena que tomou, por capricho, aquele recatado recanto.
Uma onda sobressaltada que varre a areia - a nona. Cavalga sobre a praia, pequeno pedaço de céu, e desfaz-se em alva espuma, molhando os pés e arrastando consigo seixos, depositando, carinhosamente, outros.
Um búzio resiste ao chamamento do mar, a sua melodia feita de ecos passados envolve a manhã, como o cheiro a maresia que alastra e inunda de sensações a metáfora de praia.
Comment Form under post in blogger/blogspot