sábado, março 01, 2008

Sem Título

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«arrepio» - s. m., acção de arrepiar; calafrio;
tremor de frio, de medo, ou nojo; direcção contrária da que é natural; ao -: ao
revés; às avessas; por mal.

Os leds do relógio-despertador iluminavam-lhe o quarto. Tentava dormir mas tinha-se deitado há demasiado pouco tempo, e a falta de sono impedia-o de descansar. Olhava para o vazio escuro do quarto, como se à procura de algo. Vira-se e revira-se procurando o sono que lhe escapa minuto após minuto. Ao abrir os olhos vê o piscar de algo que lhe iluminou, por breves instantes, o quarto. Sente um leve arrepio a subir-lhe pela espinha. Acende a luz do candeeiro e percorre o quarto com a visão. Nada de anormal. Levanta-se, segue até à porta e procura por algo de estranho. Nada, tudo está como tinha deixado. Volta-se a deitar. O piscar novamente. Abre os olhos, busca o interruptor do candeeiro, acende a luz. Endireita-e e visualiza algo na porta. Novamente o arrepio acaricia-lhe a espinha. À porta do quarto está um gato. É um gato magro, com um sorriso de orelha a orelha, com uma argola numa delas. É magro, como se a pele lhe estivesse pequena, e todos os ossos da sua estrutura se esforçassem por se libertar daquela prisão. Observa o gato, este nada faz senão sorrir. A certa altura o gato olha para algo atrás do humano, este olha por cima do ombro, e ainda chega a visualizar uma dentadura que se movia na sua direcção. Acorda sobressaltado. Escorre-lhe suor pela cara. O quarto está escuro. Acende o candeeiro. Nada de anormal. Encontrou o sono mais depressa do que esperava, e aparentemente, deu de caras com um arrepio.

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